Página inicial do sítio > Eucaristia > Comunhão miraculosa de uma religiosa atingida pela peste
Em tempos de pandemia
Comunhão miraculosa de uma religiosa atingida pela peste
conservemos a noção do que realmente importa
sábado 5 de Dezembro de 2020
Bourges, 1628
Pela ocasião da peste de 1628, as Visitandinas de Bourges tinham estabelecido uma enfermaria numa construção isolada no fundo do jardim e afastada das habitações do convento. Não se podia ter escolhido melhor para dar às pessoas atingidas pela peste o ar imenso e a vista do campo, e acima de tudo para os isolar.
Como em toda a parte, evitava-se toda a comunicação com as pessoas atingidas. As pobres doentes confessavam-se pela janela ao capelão, que se mantinha no jardim, para receberem a absolvição.
Entre as doentes, uma jovem irmã, que tinha sido um bom exemplo e a edificação da comunidade, não podia consolar-se na perspetiva de partir para a grande viagem da eternidade sem o viático que reconforta os fracos e alivia os aflitos. Mas as medidas de prudência que obrigatoriamente se cumpriam por causa da epidemia traziam muitas dificuldades.
"posso ao menos, dizia ela, ver de longe Aquele a quem me dei! Posso adorá-lo uma última vez aqui em baixo, ser nele abençoada e depois morrer!"
Os seus piedosos desejos foram concedidos. Foi organizada uma procissão, e as religiosas, com as velas na mão, acompanharam a sagrada Eucaristia que o capelão colocou num altar erigido no jardim, a uma certa distância da casa das doentes.
Nesse momento, a jovem doente estava ajoelhada junto à janela, com as mãos cruzadas sobre o peito, com o coração totalmente inflamado de amor pelo seu Deus. Os piedosos cantos tinham cessado. O capelão, de pé, preparava-se para abençoar.
E foi então que a Hóstia sagrada, se escapou das suas mãos, cruzou os ares e foi colocar-se sobre o apoio da janela, sob o olhar e, por assim dizer, entre as mãos da agonizante. Ela compreendeu a vontade do Senhor, pegou imediatamente no pão sagrado e comungou. Durante alguns instantes, reza imóvel e depois curva-se sobre ela própria; tudo está concluído: ela vai continuar no Céu a sua ação de graças começada no pequeno pavilhão das doentes.
Em memória e em testemunho da comunhão miraculosa foi mandado retalhar a pedra de apoio da janela, de maneira a pôr em relevo uma cruz de malta, cujo centro indicasse o sítio onde veio pousar a Eucaristia.
Fonte: "Miracles, signes et prodiges eucaristiques", Jean-Marie Mathiot, Editions du Parvis, Suisse, 2004